Policiais e militares buscam mais espaço na Câmara Municipal

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Com a proximidade das eleições os bastidores das delegacias e quartéis de Manaus estão movimentados. Tudo porque policiais e militares querem aumentar o número de distintivos e patentes na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Nas últimas eleições municipais, dos 1.330 candidatos, mais de 30 eram policiais ou militares, o que equivale a 2,26% dos candidatos. Das 41 cadeiras disponíveis, duas foram ocupadas por policiais militares, representando 4,87% dos candidatos.

A expectativa é que para as eleições municipais deste ano o número de policiais e militares concorrendo a cargos eletivos aumente consideravelmente, ainda embalados pela “onda bolsonarista” das eleições de 2018.

Bancada Armada

Atualmente, das 76 vagas do legislativo municipal de Manaus, estadual e federal do Amazonas, seis são ocupadas por membros das forças de segurança, o que equivale a 7,89% dos parlamentares. 

Na Câmara Municipal foram eleitos o policiais militares, Coronel Gilvandro Mota e o Sargento Bentes Papinha. Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), ocupam cadeiras o policial militar Cabo Maciel e o policial civil Delegado Péricles. Já na Câmara Federal estão o policial militar Capitão Alberto Neto e o policial federal Delegado Pablo. No Senado não foram eleitos policiais ou militares.

Em pesquisa divulgada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de membros das forças de segurança, que envolvem as Forças Armadas, a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal e Bombeiros, vem crescendo nos últimos oito anos.

Especialista em Direito Público, o advogado Sérgio Augusto Costa destacou que o aumento do número de militares e policiais nas casas legislativas, se deve ao fato do eleitor estar buscando candidatos que, aparentemente, demonstrem honestidade e que lutam contra a corrupção.

Lava-jato x eleições

“A chegada da Lava Jato, em 2015, deu a sensação de que os membros das forças de segurança, em geral, são os candidatos que tem essa característica. E com a eleição de Bolsonaro, os candidatos ‘armados’aproveitaram a oportunidade”, destacou o advogado.

O pré-candidato a vereador pelo partido Novo, Castor Regalado, agente da Polícia Federal afirmou ainda que a eleição de Bolsonaro em 2018, por ter uma característica mais “bélica” incentivou bastante o envolvimento de policiais e militares nas últimas eleições.

Porém, ele afirma que não querer encarar uma campanha por conta dessa “onda bolsonarista” e sim porque deseja deixar uma cidade melhor para gerações futuras. 

“Percebi que precisava participar mais ativamente e não ficar só nas discussões de grupos de aplicativos e redes sociais. Então, decidi sair da indignação, para a ação”, destacou Regalado.

Confiabilidade nas Forças Armadas

O Brasil tem um histórico de confiança alta nas forças armadas, acima dos 50% (somados quem confia e confia mais ou menos). Sendo assim, um valor alto comparado a outros países da América Latina.

Pesquisa recente realizada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, da Universidade Federal de Minas Gerais 2020 mostrou que, ocorreu uma dupla alteração nos dados sobre a confiança às Forças Armadas, em comparação aos ano anterior os que “confiam mais ou menos” aumentaram de 26,6% para 33,8%.

O que mostra que apesar da época autoritária, os militares tem simpatia de boa parte da população.

Repete-se, aqui, uma tendência geral dos dados de 2020 para respostas intermediárias em termos de confiança nas instituições. Aqueles que “confiam muito” já haviam diminuído entre 2018 e 2019 (de 33,9% para 29%) e se mantiveram em 27% – dentro da margem de erro.

Da mesma forma, o número de quem “confia pouco” manteve-se praticamente inalterado.

Porém, quem “não confia” diminuiu de 23,5% para 16,1% em 2020. Somadas as respostas de quem “confia muito” e quem “confia mais ou menos” temos 60,8% da população (contra 55% em 2019), que sobrepassam os 36,5% que “confiam pouco” e “não confiam”.

Por Real Time 1

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