O exemplo de Álvaro Botelho Maia

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Álvaro Botelho Maia, quem acompanha a história local através dos livros ou pelos relatos dos mais velhos, foi um dos mais valorosos homens públicos que o Amazonas já teve.

Fez livros em prosa e verso. Foi tolerante e democrata, mesmo na condição de Interventor. Foi deputado, governador por quatro vezes e senador. Era um humanista, sensível e intelectualmente brilhante. Exerceu cargos de mando por quase trinta anos e, o mais notável disso tudo, é que, no fim da vida, tal era a sua honradez, nada amealhara de patrimônio, nem mesmo uma casa própria…

Seu legado, porém, foi saber servir ao povo, sem se deixar seduzir pelas tentações do Poder, atuando sempre com humildade e sem pilhar os cofres do Erário, coisa que os políticos de hoje, em sua grande maioria, fazem sem pudor.

É, em verdade, de causar arrepios qualquer tipo de comparação entre o Tuxaua – apelido indígena com o qual fora agraciado pelos seus contemporâneos – e muitos de seus sucessores. Enquanto Álvaro ajudava a fundar a Academia Amazonense de Letras, um bom número de políticos dedicava-se, ou dedica-se, em pedir propina de empreiteiras. Enquanto Álvaro escrevia seus poemas, alguns homens públicos de hoje roubam a cena (desculpem o trocadilho), envolvidos em questões que competem à Polícia Federal. Enquanto Álvaro morreu de forma modesta, pobre mesmo, nada deixando para seus herdeiros, a turma de hoje sai do cargo público mais rica do que nele entrou, sem que tenham, obviamente, outras atividades para justificar essa nova condição.

Álvaro nunca confundiu os seus bens com os bens da coletividade. Jamais comprou voto, praticou ato de improbidade, cerceou a liberdade de imprensa ou guardou rancor de alguém, ainda quando injusta e malignamente atacado. Era a ética na política em sua mais pura expressão, um exemplo, mesmo, que não pode ser esquecido e que precisa sobreviver em nossas lembranças, para inspirar as novas gerações.

Gigante com homem, como intelectual e como político Álvaro Botelho Maia nos ensinou a ter fé e a cultivar a esperança. Suas lições nos levam a acreditar que os pigmeus que nos assombram, que nos assaltam e que riem de nós, por vezes impunemente – encastelados e embriagados pelo Poder – estão com os dias contados. Haverá tempos, eles não estão longe, que o maior orgulho de um homem público será servir e, não, ser servido; será cumprir um mandato honesto, ao invés de enriquecer.

Governador Álvaro Botelho Maia. Fotografia produzida no conceituado Estúdio Harcourt, de Paris, inaugurado em 1943.
Fonte: Manaus de Antigamente

Álvaro Botelho Maia, nascido em Humaitá, filho de pai cearense e mãe amazonense, era também advogado. Ali pelos seus 30 anos de idade, inspirou outros moços com o movimento glebarista, através do qual, como ensina o notável historiador e meu confrade de Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e de Academia Amazonense de Letras (AAL) Francisco Gomes da Silva, exortava por um renascimento dos valores da terra e pelo melhor aproveitamento de seus filhos, que deveriam assumir os destinos de seu povo.

Talvez esteja na hora de um movimento semelhante, mas integrando cidadãos de toda procedência, que aqui estejam trabalhando, que constituíram família, que elegeram o Amazonas, enfim, como sua pátria também. E que, acima de tudo, sejam pessoas reconhecidamente de bem, que não precisem de cargos públicos para melhorar de vida. Pelo contrário, que queiram contribuir, doando-se, para a melhoria da qualidade de vida de nossa gente.

Júlio Antônio Lopes

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