A respeito da maledicência

0
462

Alguém já disse, e não há erro nisto, que o pior inimigo é aquele que se oculta nas sombras e que, geralmente, não possui nenhuma razão, justificável aos olhos do mundo, para sê-lo. É o adversário gratuito. Às vezes, até, aquele que ronda perto de nós, que faz mesuras, que se diz amigo, mas que, engolfado em trevas, disfarça o seu mau sentimento e se fica remoendo por dentro, em busca de uma oportunidade para destilar o veneno que lhe corrói a alma.

E é o pior porque tem a impulsioná-lo a inveja, a covardia e a vaidade. A inveja, esse sentimento repulsivo, do sucesso alheio. A covardia, porque impede o direito de defesa do atingido pelas suas infâmias. E a vaidade, porque consumido pelo egoísmo, acredita que os espaços sociais, profissionais e culturais lhe pertencem e mais ninguém pode ocupá-los.

A literatura e as artes, basta revisitar a história, possuem significativos e lamentáveis exemplos do gênero. Não apenas o mundo dos livros e das artes, porém, disso já foram palco. Infelizmente, em outros quadrantes da vida real, todos nós, em algum momento, já fomos ou podemos ser vítimas desse tipo de conduta, de injustiças, de difamações, de maldades, enfim, ou, então, até casualmente, ouvirmos dela falar.

Diante de coisas assim costumo adotar uma de duas atitudes. Se descubro que fui o alvo das aleivosias, não me enraiveço; tenho piedade daquele pobre espírito, orando a Deus para que o perdoe e o ilumine. Sigo o mandamento do mestre Jesus, que nos ensinou a “orar pelos nossos inimigos e a bendizer os que nos maldizem”, pois isto nos eleva e nos faz seguir em frente, fazendo o bem, sem alimentar o coração de fel.

O notável Mário Quintana, perguntado certa vez como ele reagia ao ser confrontado pela maledicência e pelos obstáculos que se impunham em seu caminho, respondeu em forma de poesia e de maneira magistral:“Eles passarão, eu passarinho”.

É importante, nesses momentos, também fazer uma espécie de “contabilidade do afeto e do companheirismo”. Ver quantas pessoas de luz estão ao nosso lado, torcendo por nós e, nós, torcendo por elas; remando na mesma direção da felicidade pessoal e coletiva; buscando o mesmo sonho; pondo de pé projetos saudáveis e úteis, dentre tantas outras coisas positivas, para percebermos que o invejoso é um triste, um frustrado, um sozinho, um avarento, um egoísta, que merece a nossa comiseração e ajuda para sair do abismo em que se meteu.

Se, por outro lado, esbarro nesse tipo de pessoa e acabo por escutar palavras desairosas em relação a terceiros, imediatamente utilizo a teoria das “três peneiras de Sócrates”. Vejo se há a verdade, se há bondade e se há necessidade naquilo que me dizem. Não passando em quaisquer delas, sou o ponto final do que é mentira ou não pode ser provado, do que é mau e do que não é necessário.

Deus, revelado pelo Senhor Jesus, contemplou-me com o dom de servir ao meu semelhante, com a humildade para reconhecer os méritos alheios (e me alegrar com isso) e com a capacidade de não guardar mágoas no meu coração. Agindo assim, tenho certeza, serei, seremos todos mais felizes.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui