Quando o problema não convém, é melhor comer abiu

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A gestão do meio ambiente no Brasil, vem sendo questionada, inclusive internacionalmente como no caso das queimadas na Amazônia. Infelizmente as descrições e avaliações críticas ao tema, buscam como resultado exclusivamente, a confluência de fatores como a viabilidade eleitoral, mediante o crescimento do chamado voto verde, e a institucionalização do tema pelas propostas de políticas ecológicas. Mesmo que tais temas sejam defendidos em alguns programas partidários, em sua maioria, se trata apenas de movimentos ideológicos e não práticos.

Os partidos políticos incluem pautas da agenda ambiental em seus programas partidários, enfatizando, além das propostas políticas, o perfil de governança defendido e a noção de sustentabilidade que orienta o discurso do partido. 

É evidente que, durante o período eleitoral, os partidos se transvestem de ambientalistas ou ecologistas, e usam variadas estratégias para influenciar os eleitores com seu marketing da campanha.

Porém, deixando de lado o pragmatismo ideológico, verificamos que as pautas ecológicas defendidas, não passam de questões eleitoreiras, pois, quando o problema não afeta diretamente seu adversário político, nem mesmo à mídia cabe o papel de divulgação, nem à oposição a tentativa de questionar a solução do problema ambiental.

Os problemas das queimadas na Amazônia foram alardeados por todo planeta, inclusive por nações que já devastaram suas florestas. Aproveitando a oportunidade, ambientalistas, ecologistas, partidos políticos (seus representantes eleitos) e a mídia em geral, reverberam o tema a cada segundo, enfatizando a irresponsabilidade e ineficiência da atual gestão em resolver o assunto.

Agora, surgiu mais um problema ecológico, de igual ou maior proporção, o vazamento de óleo no litoral nordestino. Nesse meio tempo, parece que os partidos, a mídia e demais instituições “comeram abiu” (fruta amazônica que deixa os lábios “colados”), não verificamos o mesmo escândalo para um problema de tamanha gravidade.

Será que o silencio tem como causa, a possibilidade de o vazamento de óleo ter originado da Venezuela? Questão cogitada pela cúpula do governo, porém ainda não confirmada.

O vazamento de causas ainda desconhecidas, que pode ter origem criminosa, acidental ou até mesmo pelo naufrágio de um navio, já atingiu 132 localidades, em 61 Municípios de 9 Estados do Nordeste.

Não podemos ficar escolhendo pautas, todos os problemas que surgirem no Brasil devem ser solucionados para o bem comum. Principalmente, quando a origem da questão, pode descambar para um problema internacional.

Nesse sentido, a inserção de temáticas ecológicas nos programas partidários, associados à agenda ecológica não pode servir apenas como estratégia de publicidade política, ou seja, uma forma de propaganda das legendas a fim de consolidar seu poder discursivo na esfera da concorrência eleitoral.

É necessário que a oposição desça do palanque, aproveite o óleo derramado, passe nos lábios para tirar a resina deixada pelo abiu – mantendo a boca fechada -, e comecemos a lutar pelo único partido que realmente interessa: O Brasil! Não podemos deixar que divergências partidárias-ideológicas, nos façam menosprezar sérios problemas nacionais que podem causar resultados irreversíveis às atuais e futuras gerações.

Sérgio Augusto Costa

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