Se não mudamos uma situação, temos o desafio de mudar a nós mesmos

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De onde tiramos forças para seguir em frente quando não temos certeza do futuro desejado? Uma vez que estamos sempre questionando nossa razão de ser – seja de férias na praia ou dentro de uma câmara de gás – o sentido da vida está em cada simples momento. A vida nunca deixa de ter sentido, mesmo em sofrimento extremo.

Essa semana fui estimulado a descrever sobre o livro Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração do autor Viktor E. Frankl, que foi escrito para leigos em psicologia, mas é essencial para quem fica abalado ou triste com qualquer coisa, condicionando toda sua felicidade a eventos externos.

O autor narra sua experiência, como prisioneiro por longo tempo em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Essas experiências forneceram evidências de sua teoria psicológica, a Logoterapia, que em suma, explica como, para prosperar em momentos extremos, precisamos descobrir nosso significado pessoal de vida.

As condições desumanas que os obrigavam as longas jornadas de trabalho forçado, sob temperatura negativa, pouca comida, maus tratos que sofriam por seus conterrâneos “capôs” (prisioneiros que tinham privilégios), o convívio com as doenças, mostra como a maioria dos prisioneiros preponderavam, e sob essas condições, eram despidos de todos os valores, fazendo-os chegar aos instintos mais primitivos do homem, e instigando como única reação a preservação da vida que estava diariamente ameaçada.

Essa ausência de sentimento, destruindo o narcisismo, refletia na desvalorização de tudo que não serve ao interesse mais primitivo da preservação da vida. A dor ao atingir a carne, desnudar o homem, pode causar uma reação de preservação e/ou revolução.

Os prisioneiros primeiramente eram desprovidos de suas vestimentas, objetos pessoais e todo e qualquer bem de valor material ou sentimental. Após, alijados de qualquer sensação de ser um sujeito humano, tornavam-se um objeto, sem direito a nome e a liberdade, sendo apenas identificados por números.

Foram privados de tudo, menos da esperança de que a cada amanhecer superariam seus limites físicos e emocionais frente as condições caóticas, única alternativa para sobreviver mais um dia. O sentido no sofrimento é a conquista da liberdade espiritual, que naquela situação permitiu aos prisioneiros descobrirem que o sentido da vida não está somente no gozo dos prazeres imediatos e belos, mas também no sofrimento. Precisaram configurar suas vidas de modo que desse sentido.

A partir do sofrimento, a pessoa pode desistir da vida ou tomar a decisão de transformar sua vida numa realização interior de valores – no momento de extrema dificuldade que a pessoa tem oportunidade de crescer interiormente.

Devemos “aprender e também ensinar às pessoas em desespero que a rigor nunca e jamais importa o que ainda temos a esperar da vida, mas sim exclusivamente o que a vida espera de nós” – Viktor E. Frankl.

Essa experiência vivida e descrita no livro, também ajudou a diferenciar Logoterapia (autor é o pai da teoria) da Psicanálise, como sendo menos retrospectiva e menos introspectiva que a escola fundada por Freud. Àquela, concentra-se mais no futuro, e nos sentidos a serem realizados pelos pacientes em seu futuro, é uma terapia centrada no sentido, confrontar o sentido da vida reorientando-a.

Por fim, faz uma crítica ao “pandeterminismo” doutrina que concede o homem como alguém que não tem liberdade e que estaria sujeito às condições do meio. Segundo o autor, o homem é agente do seu destino é autodeterminante. Ele mesmo determina se cede aos condicionamentos ou se lhes resiste.

A teoria utilizada pelo autor é portadora de uma mensagem de esperança e otimismo na medida em que mostra que o homem tem a capacidade de se elevar acima das condições difíceis de uma existência mudando a si mesmo e ao mundo.

Nosso sucesso, e às vezes a nossa própria sobrevivência, depende da nossa capacidade de encontrar o significado da nossa vida. Isso não precisa ser algo grandioso ou existencial – seu próprio significado pessoal, dependendo de suas circunstâncias imediatas, será suficiente.

Se com esse senso de propósito os prisioneiros do holocausto superaram aquela situação extrema. Podemos nos manter firmes na crença de que o homem pode se elevar acima de sua atual realidade. “Quando não conseguimos mais mudar uma situação, temos o desafio de mudar a nós mesmo”.

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