A Terceira Guerra

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A Terceira Guerra encontra-se em cada esquina, em cada mendigo, em cada doente, em cada criança, em cada ser humano, enfim, expostos à humilhação pública e ao abandono.

Há 74 anos, no mês de setembro, chegava ao fim aquele que foi o maior e o mais sangrento conflito que envolveu a humanidade, a Segunda Guerra Mundial.

Em tempo algum se havia presenciado tanta sede de poder, tanto desrespeito aos direitos humanos, tanta insanidade e atrocidades, patrocinados pelas forças que compunham o Eixo, formado por Alemanha, Itália e Japão. De outro lado, nunca também os desatinos e os ditadores foram repelidos com tanta bravura por uma rajada de heróis, os Aliados (EUA, URSS, Inglaterra e França), os quais lutaram e venceram pela causa da liberdade.

Tudo, até as coisas mais terríveis, deixam lições. A guerra deixa lições. A primeira delas é que as perdas são irreparáveis, traumáticas, dolorosas. A segunda, é que a paz, por mais custosa que seja, deve ser buscada e preservada como a meta principal de qualquer povo cujo desejo último seja a felicidade. A última lição está em que, de seus escombros, deve-se construir um futuro melhor.

De fato a Segunda Guerra mostrou em sua extrema crueza e abrangência – ela se deu no chão, no mar e no ar – que as diferenças entre as nações, sejam elas étnicas, econômicas, sociais ou políticas, são causas latentes para a deflagração de um conflito e que o poder, usado indevidamente, alimenta o ódio e traz a destruição. Foi assim que Hitler, a figura central daquele drama, surgiu, cresceu e ganhou forças para arrostar como truculência aqueles que se opunham aos seus projetos malévolos. As nações livres, é bem verdade, reagiram, não a tempo de evitar o pior, mas a tempo de impedir a desgraça total. Imaginem o que seria de nós se os nazistas tivessem vencido?

Mas, será que passados tantos anos, as coisa mudaram de tal maneira que nós não temos razão nenhuma para temer que tragédias do gênero se repitam? Penso que há, e muitas! Basta ver o número de refugiados que deixam suas pátrias e buscam abrigo, e nem sempre são recebidos com fraternidade, em países mais ricos. Nós mesmos, temos este problema com a vizinha Venezuela. Há uma grande divisão no mundo de hoje: aquela que separa as nações em pobres e ricas. Precisamos equilibrar essa relação, que tem causado, na órbita interna do Brasil, por exemplo, uma guerra civil não declarada, a qual se expressa pela miséria, que condiciona a vida de milhões de pessoas, que estimula a violência, a revolta, o crime, a prostituição, as doenças, a corrupção. Países pobres já vivem a sua Terceira Guerra.

Engana-se quem pensa que o último e grande conflito ainda não começou. Ele está nas ruas. Está em cada pessoa que não tem emprego, em cada pessoa que não tem onde morar, em cada pessoa que não estuda e que, portanto, não consegue se desenvolver plenamente como cidadão. A Terceira Guerra encontra-se em cada esquina, em cada mendigo, em cada doente, em cada criança, em cada ser humano, enfim, expostos à humilhação pública e ao abandono. A Terceira Guerra está declarada pelos governantes que cuidam de seus interesses e esquecem do bem-estar coletivo, que roubam as verbas da comunidade e nada constroem. Vencer essa guerra, hoje, é o nosso maior desafio.

Júlio Antônio Lopes

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