Educar é preciso!

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Já houve época em que as pessoas diziam, terrificadas com a situação caótica em que se vivia em nosso país há pouco mais de 30 anos, que a única saída para o Brasil era o aeroporto.

Bem a propósito, naqueles dias, os cidadãos mais afoitos iam para os EUA, por exemplo, em busca de estabilidade econômica, política e social, sujeitando-se, inclusive, a trabalhos incompatíveis com as suas qualificações.

São conhecidas as histórias, ou lendas, de gente que começou a aventura americana como garçom, jardineiro ou lavador de pratos e, em tempo razoável, já gozava de uma condição bem mais confortável do que a experimentada por aqui.

Mas, e os que ficaram, enfrentando as tormentas? Muitos sucumbiram a uma inflação de mais de 1000%; outros tiveram de assistir, mais pra frente, nós próprios, ainda e infelizmente, à pilhagem dos cofres da nação pelas organizações criminosas que se encastelaram em todos os espaços de poder, em triste conluio com a parcela podre do empresariado; e, para ficarmos apenas nestes exemplos, foram testemunhas do sucateamento dos serviços públicos essenciais, como os das áreas de saúde, de segurança e de educação! E hoje, temos que enfrentar, junto com o novo governo, torcendo para que dê certo, o cenário de terra arrasada que nos foi deixado pelos três últimos governantes.

Os problemas de hoje são imensos, não podemos nos iludir. O Brasil, vítima de tantos saques, está falido, com quase 14 milhões de desempregados e, especialmente, enfrentando uma crise de costumes sem precedentes, uma frouxidão moral que contaminou a sociedade como peste.

Para que o futuro seja melhor, para alimentarmos a esperança de que tudo mude, e não vai ser rápido, é preciso que os governos priorizem a educação. Uma pessoa educada, que teve acesso à escola desde a mais tenra infância, tem condições de competir no mercado de trabalho, conhece seus direitos, pode inventar soluções para os nossos problemas, não tem a marginalidade como opção, sabe fazer a diferença entre bons e maus políticos e obtém, por conta disso, o tratamento e a dignidade que merece.

Investir em escolas públicas, pagar melhor os professores e ampliar o espaço de atuação de entidades educacionais privadas é a única e definitiva rota para redimir este país. O Ministério da Educação, aliás, discute a volta do ensino da disciplina Educação Moral e Cívica, que eu tive quando criança e que muito me tem sido útil. Aprendi, ali, por exemplo, com as minhas professorinhas, uma série de máximas, que foram régua na minha vida, como aquela que diz que quem não vive para servir, não serve para viver. A educação, a propósito, não pode ser apenas formal.

É preciso combater, como sempre tenho dito aqui neste espaço, uma outra grande deficiência que tem contribuído para o retardamento de nossas melhores expectativas é uma outra espécie de analfabetismo, o analfabetismo moral, estimulado, desgraçadamente, pela grade de programação ou pauta dos grandes meios de comunicação, em especial as TVs, que ora glamourizam o crime, ora estimulam o hedonismo, e, sempre, priorizam as tragédias, as más noticiais… Seria uma ótima retomada.

Júlio Antônio Lopes

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