A reforma moral

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Muito se tem falado sobre as reformas que o Brasil precisa: da previdência, política, trabalhista, tributária, do Estado… Algumas delas em andamento; e outras que sequer ultrapassaram os tímidos limites da cogitação. Há quase um consenso, todavia, que, sem elas, não poderemos zerar o jogo, começar a sair do atoleiro em que nos metemos e, de tal maneira, projetar em bases de sanidade um futuro melhor para o país.

Eu também, em princípio, acredito nisto, mas penso que há uma reforma-mãe, indispensável, que deve liderar todas as demais: a reforma moral do homem. De nada adiantará reconstruir o arcabouço jurídico do país, se os sujeitos que buscam – e alcançam – o poder continuam a ser réplicas dos mesmos deformados, com honradas exceções, que nos conduziram ao abismo no curso dos últimos 30 anos, enquanto enriqueciam, desviando para os próprios bolsos recursos que são do povo e que, portanto, deveriam ser investidos em educação, em saúde e em segurança, cujos serviços são de maior demanda e de péssima prestação.

Quando eu era criança, na minha pequena e modesta escola, hasteávamos a bandeira do Brasil e cantávamos o nosso hino. Lembro da sensação de orgulho que eu e meus colegas sentíamos do país que nos teve por berço. Sabíamos de seus heróis, conhecíamos as nossas riquezas e até, aprendíamos normas básicas de trato social, como respeitar os mais velhos, sobretudo nossos pais e professores; dar lugar na fila ou no banco de ônibus; ajudar o ceguinho a atravessar a rua; observar com rigor o semáforo; dizer obrigado, por favor, com licença… Muitas casas de ensino faziam o mesmo. Ah, que tempo bom, em que a escola era um complemento perfeito da educação rígida, mas benfazeja, que recebíamos em casa! Mamãe, que nunca me bateu, mesmo assim dizia: “Quem come do meu pirão, prova do meu cinturão”. E isto era o bastante para deter qualquer avanço. E papai, que só me deu uma vez algumas palmadas, merecidas, diga-se de passagem, também repetia conhecido refrão dos antigos: “É melhor apanhar em casa do que na rua”. E ambos, sempre na hora das refeições, passavam as suas respectivas experiências de vida para mim e meus irmãos. Com eles aprendi que só Deus é grande, que vale a pena ser honesto, que fazer a caridade é, de fato, a melhor forma de glorificar o Criador e que a humildade é o princípio de toda a sabedoria.

Hoje, infelizmente, isto já não existe mais, por diversas circunstâncias. No lar e nas escolas, tudo mudou, para pior, infelizmente. Não temos mais nas escolas a disciplina “Moral e Cívica’, que teve no professor Arthur Machado Paupério, fundador da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas (ABCMP) – onde ocupo, com imensa honra, a cadeira de nº01, que lhe pertenceu – o seu mais notável formulador, difusor e entusiasta, a qual foi fundamental para a minha geração e para as gerações que me antecederam. Para completar, ao comando constitucional de que o Estado é laico, foram retiradas das grades curriculares das escolas públicas o ensino religioso, impondo às nossas crianças e jovens, brutal deficiência em suas formações. Se o sujeito não aprendeu, desde a infância a respeitar os símbolos da Pátria ou, ainda, se não leu os Dez Mandamentos, o Sermão da Montanha ou os livros sagrados das religiões, com muita probabilidade será sempre um analfabeto moral, candidato a delinquente. A reforma de que mais necessitamos é a reforma moral, que consiste em educar o homem em espírito em verdades eternas. Fora daí não existe salvação.

Advogado Júlio Antonio Lopes

julioantoniolopes.adv@hotmail.com

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