Nossa herança

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O homem nasceu para o trabalho: não veio ao mundo a passeio, para curtir o ócio ou apenas para o gozo dos sentidos.
Somos dotados de consciência e inteligência para realizar coisas extraordinárias. Basta olhar ao nosso redor para ver o quanto o ser humano é capaz. Agora mesmo estamos a celebrar os 50 anos de chegada à Lua. E, por deter essa capacidade, ele não se pode apequenar e deixar-se vencer pela preguiça, que é o pior dos vícios. É preciso, ao contrário, sonhar mais, ainda que o tempo seja escasso; alimentar a esperança, ainda que o cenário seja de desolação; e procurar ser útil em toda e qualquer circunstância, estabelecendo metas acima de suas possibilidades, porque, ao buscá-las, sempre estará acima da média e poderá, de tal sorte, fazer a diferença positiva num mundo cada vez mais necessitado de obreiros dedicados e fiéis. É preciso despertar para a maravilha que é estar vivos, saudáveis e poder colaborar, com o máximo de nós, para a construção de uma sociedade melhor.
Não sou um homem de posses. Dinheiro, para mim, é só papel. O que importa, o que tem valor, são as pessoas. Ao longo de minha vida cometi meus erros, aprendi com eles, passei por provações a que todos estão sujeitos, mas nunca enfatizei o lado ruim dos acontecimentos. Os anos passaram, as coisas mudaram, cresci, minha aparência se transformou, é a idade, mas o coração, a essência, como diz o poeta, continua. E continua, mas restaurado e ainda cheio de sonhos e de busca por causas justas, de preferências coletivas, pelas quais lutar. É o que me basta, o que me realiza. Lembrando o que ensinava Machado de Assis, procurei tirar o maior bem do maior mal. E, por isto, nunca deixei morrer, dentro de mim, os ideais de luz e de justiça que sempre habitaram o meu peito. Durmo pouco, faço muitas coisas ao mesmo tempo e não consigo me livrar da sensação de que tudo passa muito rápido e de que precisamos ter pressa em fazer as boas coisas, em amar as pessoas, porque amanhã, e como há verdade nisto, poderá ser tarde demais. A vida, como diz a letra de uma linda música, é mesmo trem bala prestes a partir. Não devemos passar por ela em brancas nuvens, tampouco tisná-la com os nossos defeitos.
Deus, revelado pelo Senhor Jesus, salvou-me, também poupou-me de sentimentos negativos, da inveja, do ódio, do ressentimento e, ao mesmo tempo, agraciou-me com a bênção de ver a luz do outro, de ser um ajudador de meus irmãos de humanidade, de ter muita paciência, de arrepender-me de minhas falhas e de me conformar com a vontade que vem do Alto.
Tenho sido feliz desse jeito. Encontrei, como já disse em outras ocasiões, a paz interior, que é o reino dos céus em nós. E não quero perdê-la. Não ambiciono mais nada, a não ser preservar um bom nome, de que meus filhos se possam lembrar com carinho e orgulho. Assim, quando a “indesejada das gentes” chegar, e que ela demore, e vai demorar porque já pedi uma prorrogação ao Criador, pois há tanto coisa ainda por fazer, eu possa concluir que valeu a pena, que deixei saudades e histórias bacanas para contar. Será a minha herança. E eu sei, meu amigo leitor, que você também trabalha neste mesmo sentido, para deixar à sua família, aos seus amigos e aos seus concidadãos o tesouro dos tesouros, que nada nem ninguém pode comprar ou usurpar: o seu bom conceito.


julioantoniolopes.adv@hotmail.com
Advogado Júlio Antonio Lopes

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