Vereador de Tapauá recebe ameaças desde que descobriu esquema de corrupção

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Às vésperas do julgamento do prefeito José Bezerra Guedes (MDB), o ‘Zezito”, do município de Tapauá, (565 quilômetros da capital amazonense) que acontecerá nesta terça-feira (9), o vereador Davi Meneses (PSC) procurou a redação do Amazônia Press para relatar as ameaças que vem recebendo desde que descobriu o esquema de corrupção entre o prefeito e os vereadores daquele município.

Meneses declara que tanto ele como pessoas próximas a ele estão recebendo diariamente ameaças por meio de mensagens. O vereador relata ainda, que as constantes ameaças estão interferindo em sua rotina e na de sua família, mas ainda assim, ele não irá desistir do caso até que veja os responsáveis punidos.

“Os áudios encaminhados pelo prefeito de Tapauá a um desafeto, demonstram claramente o caráter ditador que ele tem. Já sofri diversas ameaças inclusive com risco de vida as minhas filhas. Esse rapaz que é meu amigo, o Uerley Gomes da Silva, assim como eu, corremos riscos. Queremos a nossa integridade física garantida” disse Meneses, que também cobra que as autoridades responsáveis cumpram o seu papel.

“Espero providências urgentes, pois ele, [o prefeito ‘Zezito’], está usando do ‘Poder’ para reprimir a liberdade de expressão e de opinião consagrada na Constituição, que também afirma que toda lesão ou ameaça por direitos não poderá ser afastada da apreciação judiciária. Por isso, peço providências do Tribunal de Justiça, no qual confio, para, baseado, nas provas dos autos da ‘Operação Tapauara’ assim como na conduta deste prefeito, o afaste do Poder.

A Denúncia

O caso que envolve o prefeito do município, José Bezerra Guedes (MDB), e 10 dos 11 vereadores de Tapauá, acusados de participarem de um esquema que desviou mais de R$ 62 milhões, que eram destinados à Educação e Saúde de Tapauá foi denunciado pelo vereador Davi Meneses, em 2017, tão logo eles tomaram passe dos cargos no qual foram eleitos no pleito do ano anterior.

Segundo Meneses, tudo começou quando ele requereu o pagamento do salário atrasado há quatro meses dos funcionários públicos. Ainda segundo o vereador denunciante, o prefeito José Bezerra não se achava responsável pelo pagamento do ano em que ele ainda não estava no comando e teria dito não ser responsabilidade do seu mandato, o que foi rebatido por Meneses.

“Uma vez eleito, o prefeito tem responsabilidade com o pagamento de todos os funcionários, não importa se não foi na época que ele entrou para o comando. Além do mais, tinha verba para tal, ele que desviou”, pontuou.

Meneses disse que foi convidado pelo vereador José de Oliveira, o ‘Cacá’, para participar do esquema. Ele relata que na ocasião, ‘Cacá’ o procurou e solicitou que assinasse a Carta de Anuência, e em troca ofereceu-lhe uma propina no valor de R$ 5 mil, e pediu-lhe para que não desse prosseguimento à denúncia.

Ainda segundo Meneses, que se sentiu afrontado com a situação apresentada, ele procurou os órgãos competentes do município para denunciar. No entanto, Meneses foi aconselhado pelo juiz a procurar o Ministério Público, na capital.

Davi Meneses disse que não perdeu tempo e que imediatamente veio para Manaus e procurou o Ministério Público. Entretanto, não teve nenhum apoio nem resposta, o que lhe forçou a procurar a mídia e expor a situação.

“Bati na porta de vários Jornais, a maioria nem me deu voz, mas um Jornal de grande repercussão na capital me ouviu e publicou a história, o que desencadeou em uma investigação ainda em 2017.

A investigação de fraude e licitação avançou e alguns vereadores chegaram a confessar e foram previamente afastados. Mas, o desembargador Ernesto Chíxaro deu-lhes direito de retornarem aos cargos um tempo depois.

A partir deste momento, uma série de ameaças e represálias começaram contra o vereador Davi Meneses, que continuou buscando por justiça para que os envolvidos fossem punidos.

Para preservar sua vida, o Ministério Público estabeleceu uma distância mínima de aproximação entre os denunciados e o vereador. Caso eles descumprissem a medida protetiva teriam que indenizar a vítima.

Viver escoltado

Meneses informa teme por sua vida, mas que não se descuida em nenhum momento.

“Hoje em dia preciso andar sempre acompanhado de um segurança; armado e uso colete à prova de balas, pois posso ser atacado a qualquer momento”, revelou.

Propina

O vereador Davi Meneses relata que, os outros colegas de bancada recebiam propina do prefeito. Ele acredita também, que outros políticos da esfera federal sabem do caso.

“O prefeito age contando com a impunidade, ele conta com braços políticos muito influentes no Amazonas. Penso que o deputado federal, Átila Lins e o Senador Eduardo Braga e agem para que os envolvidos saiam impunes”.

Meneses disse ao Amazônia Press que tem razões suficiente para acreditar na influência direta dos políticos Átila Lins e do Braga. Para ele, o prefeito José Bezerra não é punido devido ter uma séria de pessoas da alta cúpula política lhe protegendo.

Adiada novamente

A audiência que deveria ter acontecido na última terça-feira (2) precisou ser remarcada para esta semana. Meneses disse que a desembargadora, Joana Meirelles, relatora do processo, não compareceu na sessão plenária nem justificou a ausência.

A audiência já chegou a ser remarcada seis vezes durante o andamento do processo. Sempre sem justificativa plausível para tal.

Davi Meneses aguarda que a audiência desta terça aconteça e que a justiça seja feita.

“Espero que seja decretado o afastamento dos envolvidos neste esquema de corrupção todos esses envolvidos. Tapauá não merece esse tipo de gente como governante. A cidade está dividida, mas tem um povo de essência decente e bom caráter. Não vamos aceitar isso não”, afirmou o vereador.

Fonte: AmazoniaPress / Mycaella Passos

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