A palavra perdida

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Advogado Júlio Antonio Lopes
Desde criança que sempre li de tudo: jornais, revistas, livros, a Bíblia, em especial, livros sagrados de outras religiões, e, até, sem exageros, bula de remédio, na falta daqueles outros itens e ainda que não fosse, eu próprio, administrá-lo. Papai dizia que um homem bem informado valia por dez. Eu acreditei e mergulhei na leitura. Cheguei à conclusão de vale por muito mais.

Desde criança que sempre li de tudo: jornais, revistas, livros, a Bíblia, em especial, livros sagrados de outras religiões, e, até, sem exageros, bula de remédio, na falta daqueles outros itens e ainda que não fosse, eu próprio, administrá-lo. Papai dizia que um homem bem informado valia por dez. Eu acreditei e mergulhei na leitura. Cheguei à conclusão de vale por muito mais.

Não poderia dar outra, escolhi como profissão a advocacia e, também, o jornalismo; como paixão, a literatura, onde arrisquei uns versos bissextos. Já escrevi mais de mil crônicas e alguns livros; ajudei a trazer à existência, com meu trabalho voluntário, obras de outros autores, o que me deu grande alegria; e, com a leitura, aprendi a decifrar a realidade por detrás das versões, versões geralmente tangidas pelos mais variados interesses, nem todos legítimos ou saudáveis.

Aprendi, sobretudo, que não devemos crer, de primeira, em tudo aquilo que lemos ou que nos falam. É preciso aprofundar a nossa pesquisa sobre determinado assunto, buscar fontes diversas, analisar tudo sob o filtro da prudência, enfim, para que não acabemos enveredando pelo caminho do erro e das injustiças, em especial nesses tempos de fake news… Essa postura refina o nosso discernimento, levando-nos a fazer, dia após dia, com o suceder das experiências, melhores escolhas em todos os aspectos de nossas vidas.

Alguns amigos me perguntam por que, como em boa parte de minha trajetória de articulista, já se vão abençoados 30 anos, não abordo mais, com frequência, temas de natureza política ou polêmicas de ocasião? Minha resposta: porque a política virou assunto de polícia e porque os assuntos discutidos com sofreguidão pela mídia tradicional e pelas novas mídias (redes sociais) já têm quem delas se ocupe e bem pouco podem colaborar para a reconstrução moral do ser humano e, portanto, para o soerguimento de uma sociedade mais sadia. Eu prefiro usar o espaço de que disponho para ser mais uma dessas pequeninas vozes – elas existem, graças a Deus – que ainda clamam no deserto, empenhadas em atingir a alma das pessoas, a fim de despertá-las para tudo aquilo que é bom, belo e justo.

O dicionário é imenso. Nele há muitas palavras. As palavras possuem poder. Elas podem, quando mal empregadas, destruir vidas e reputações. Civilizações, mesmo, foram extintas por causa do ódio contido nas palavras. Quando, todavia, utilizadas para a edificação, as palavras são capazes de prodígios, de redimir o sujeito e o mundo, de construir sonhos do nada, de fazer do impossível o possível, de deslocar, como ensinava o mestre nazareno, as montanhas de lugar. E a palavra perdida, que é capaz de tudo mudar, que se encontra nos escaninhos do coração do homem, é tão simples que possui apenas quatro letras, mas a sua força é extraordinária: Amor…Amor ao semelhante e Amor ao que se faz. É assim que devemos escrever a nossa história. E é por isto que ainda escrevo, distanciando-me das pautas que nada constroem, que nada trazem de verdade, de bom ou de útil.


Advogado Júlio Antonio Lopes
Julioantoniolopes.adv@hotmail.com

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